26 e 27 - BATISTAS NO BRASIL

26 e 27 - BATISTAS NO BRASIL
As duas vias

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

49 - ORIGENS BATISTAS: OUTRAS TEORIAS

“... estando (Jesus) com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.” (Atos 1:4)
                                                                                                                         
A história demonstra que a origem dos batistas está ligada ao movimento separatista do início do século XVII, na Inglaterra. Todavia, esta não é a única visão que tem sido apresentada a respeito do assunto. Por necessidade de clareza histórica, precisamos conhecer outras posições a respeito da origem do movimento batista. As duas mais importantes são a dos anabatistas e a conhecida em inglês como landmark.
Anabatista (do grego "ana" e "baptizo", com o sentido de rebatizador)  é um nome bastante recorrente na história da igreja, principalmente em conexão com a negação da heresia do batismo infantil e a reafirmação do batismo do crente após confissão de fé no evangelho de Cristo. A palavra surge na historia do Cristianismo talvez pela primeira vez como menção feita  pelo Papa Estêvão I a cerca de 87 bispos que haviam realizado o 2º Concílio de Cartago, em 225 d.C., para legalizarem o rebatismo dos fiéis vindos de outras Igrejas que adotavam o ‘batismo regenerador’. O Papa tomou conhecimento e excomungou todos os bispos que participaram do 2º Concílio de Roma, declarando que o re-batismo era uma heresia. Aparentemente, os grupos que realizavam o rebatismo eram adeptos do montanismo, do novacianismo,do donatismo e de outros grupos dissidentes de Roma. Após a reforma iniciada por Lutero, surgiram os cristãos da sua ala mais radical, que teve no reformador Zuíngliosua origem. Apontados como continuadores dos lolardos de Wyclif e dos hussardistas de Hus, “os anabatistas eram desprezados pelos reformadores por insistirem que a Igreja é formada somente de seguidores deliberados de Cristo, que a admissão a ela é pela confissão e batismo, que ela é autônoma e que ela se mantém pura por disciplina”, conforme afirma Lumpkin.
Existem semelhanças de doutrinas entre batistas e anabatistas: separação entre igreja e estado, batismo do crente, autoridade única das Escrituras, a Ceia do Senhor apenas como memorial, a liberdade individual da alma. As evidências históricas, contudo, mostram que, excetuando as influências iniciais na Holanda e mesmo posteriormente na Inglaterra, os batistas e anabatistas formaram dois grupos que se desenvolveram separadamente ao longo da história.
A outra teoria aponta para o movimento que em inglês é chamado de Landmark, expressão formada de “land” (= terra) e “mark” (= marca, limite), numa alusão aos limites colocados no solo pelos antigos. O nome foi sugerido por um panfleto escrito por James M. Pendleton em 1856, baseado em Provérbios 22.26, onde se lê “Não removas os antigos limites que teus pais fizeram.”, numa alusão à manutenção da fidelidade aos fundamentos implantados pelos pioneiros no início da Igreja. O movimento tem características e causas bastante diversificadas, tendo surgido no Sul dos Estados Unidos na segunda metade do século XIX, uma época de grandes confrontos entre as diferentes denominações evangélicas envolvendo os batistas e tendo como um dos temas centrais a questão do pedobatismo.
Revestido de um caráter marcantemente sectário, o movimento questionava assuntos como:

ü  Podem os batistas reconhecer como Igreja de Cristo a sociedades não organizadas de acordo com o padrão da Igreja de Jerusalém, que possuem governo diferente, diferente tipo de membresia, diferentes ordenanças, doutrinas e práticas?
ü  Podem os batistas reconhecer os ministros de tais corpos irregulares e não-escriturais como ministros do evangelho em sua total capacidade, convidando-os para pregarem em seus púlpitos? 
ü  Podem os batistas tratar como “irmãos em Cristo” aqueles que não têm suas doutrinas e não andam de acordo com seus mandamentos, mas se colocam às vezes em oposição a eles?

Criam os seguidores do movimento apenas na existência das igrejas locais, negando as ideias de igreja universal. O Reino de Deus consistia da soma total de igrejas locais que pudessem ser propriamente vistas como “igrejas verdadeiras de Cristo”. Segundo criam, somente igrejas batistas se qualificavam para isso, fora das quais não havia salvação. A sucessão de igrejas verdadeiras de Cristo estava em conexão próxima a essas crenças, acreditando o movimento que igrejas organizadas de acordo com os princípios de Cristo sempre existiram ao longo da história. Enquanto existia apenas a Igreja de Jerusalém, igreja e reino eram idênticos, sendo do reino apenas quem fizesse parte daquela igreja. Com a multiplicação das congregações, as novas eram integradas ao reino de Deus. Ao longo da história, os landmarkistas citam Waldenses, Albigenses, Paulicianos, Novacianistas, Donatistas e outros grupos como predecessores dos batistas modernos de nossos dias.
Também chamado de JJJ (João-Jordão-Jerusalém), no Brasil, o movimento se tornou conhecido pelo livreto “O rasto de sangue”, escrito por J. M. Carrol. Tal como a teoria da origem anabatista, a teoria landmarkista não tem apoio em evidências históricas. Nos diferentes grupos apontados como “batistas’ sem levarem este nome ao longo da história, sempre será possível encontrar pontos de convergência em doutrinas e práticas, pois todos eles surgiram como oposição às heresias introduzidas no cristianismo pelo catolicismo, mas nenhum desses grupos teria a visão batista de ser igreja, que se desenvolveu ao longo de quatrocentos anos, desde os separatistas ingleses até hoje.
Historicamente, podemos afirmar que, considerando-se a reforma protestante a partir de Lutero, os batistas foram muito bem nessa atividade de “passar o cristianismo a limpo” à luz das Escrituras, deixando de lado as velhas estruturas eclesiásticas heréticas oriundas do catolicismo romano e lutando pela reconstrução da igreja a partir da igreja local, primeira preocupação dos nossos líderes na reforma empreendida a partir do embrião de Amsterdam, na Holanda. John Smyth, Thomas Helwys, John Spilsbury e outros líderes batistas pioneiros se opuseram à ideia sucessionista da igreja.

Todas as denominações surgidas a partir do protestantismo podem alimentar a ideia de que a igreja primitiva historiada em Atos dos Apóstolos era semelhante, se não a mesma, da sua igreja atual, mas essa teoria não tem base na história como ciência, baseada em evidências, documentos e fontes. É preciso reconhecer que, desde o início, as igrejas mais puras estiveram sujeitas a erros e heresias, sendo que, em algumas épocas históricas, elas acabaram por se tornar mais em sinagogas de Satanás do que igrejas de Cristo, fato revelado até pelo apóstolo João no seu Apocalipse. No entanto, Cristo tem tido e terá sempre um Reino neste mundo, formada por pessoas que creem nele e confessam o seu nome. Torna-se cada vez mais difícil definir-se um nome ou um tipo de igreja como representante único do Reino de Deus neste mundo, mas cabe a cada cristão e cada igreja buscar, a cada dia, a pureza doutrinária que caracterize uma autêntica Igreja de Cristo, que possa continuar pregando a mensagem do evangelho até os confins da terra, ansiando pela volta do Noivo, que finalmente se unirá à Sua Noiva uma santidade digna da presença eterna com Deus.

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ÍNDICE DOS FASCÍCULOS

Introdução 1)    16 séculos de Igreja Cristã 2)    Anglicanismo: a Igreja do Rei 3)    Puritanos, Separatistas, Batistas 4)    A “C...