“... estando (Jesus) com eles,
determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a
promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na
verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo,
não muito depois destes dias.” (Atos 1:4)
A história demonstra que a origem dos
batistas está ligada ao movimento separatista do início do século XVII, na
Inglaterra. Todavia, esta não é a única visão que tem sido apresentada a
respeito do assunto. Por necessidade de clareza histórica, precisamos conhecer
outras posições a respeito da origem do movimento batista. As duas mais
importantes são a dos anabatistas e a conhecida em inglês
como landmark.
Anabatista (do
grego "ana" e "baptizo", com o sentido de rebatizador) é um nome bastante
recorrente na história da igreja, principalmente em conexão com a negação da
heresia do batismo infantil e a reafirmação do batismo do crente após confissão
de fé no evangelho de Cristo. A palavra surge na
historia do Cristianismo talvez pela primeira vez como menção feita
pelo Papa Estêvão I a cerca de 87 bispos que haviam realizado
o 2º Concílio de Cartago, em 225 d.C., para legalizarem o rebatismo dos
fiéis vindos de outras Igrejas que adotavam o ‘batismo regenerador’. O Papa
tomou conhecimento e excomungou todos os bispos que participaram do 2º
Concílio de Roma, declarando que o re-batismo era uma heresia. Aparentemente,
os grupos que realizavam o rebatismo eram adeptos do montanismo, do novacianismo,do donatismo e
de outros grupos dissidentes de Roma. Após a reforma iniciada por Lutero,
surgiram os cristãos da sua ala mais radical, que teve no
reformador Zuíngliosua origem. Apontados como continuadores dos
lolardos de Wyclif e dos hussardistas de Hus, “os anabatistas eram
desprezados pelos reformadores por insistirem que a Igreja é formada somente de
seguidores deliberados de Cristo, que a admissão a ela é pela confissão e
batismo, que ela é autônoma e que ela se mantém pura por disciplina”, conforme afirma
Lumpkin.
Existem semelhanças de doutrinas entre
batistas e anabatistas: separação entre igreja e estado, batismo do crente,
autoridade única das Escrituras, a Ceia do Senhor apenas como memorial, a
liberdade individual da alma. As evidências históricas, contudo, mostram que,
excetuando as influências iniciais na Holanda e mesmo posteriormente na
Inglaterra, os batistas e anabatistas formaram dois grupos que se desenvolveram
separadamente ao longo da história.
A outra teoria
aponta para o movimento que em inglês é chamado de Landmark,
expressão formada de “land” (= terra) e “mark” (= marca, limite), numa
alusão aos limites colocados no solo pelos antigos. O nome foi sugerido
por um panfleto escrito por James M. Pendleton em 1856, baseado em Provérbios
22.26, onde se lê “Não removas os antigos limites que teus pais fizeram.”,
numa alusão à manutenção da fidelidade aos fundamentos implantados pelos
pioneiros no início da Igreja. O movimento tem características e causas
bastante diversificadas, tendo surgido no Sul dos Estados Unidos na segunda
metade do século XIX, uma época de grandes confrontos entre as diferentes
denominações evangélicas envolvendo os batistas e tendo como um dos temas
centrais a questão do pedobatismo.
Revestido de um caráter marcantemente
sectário, o movimento questionava assuntos como:
ü Podem os batistas
reconhecer como Igreja de Cristo a sociedades não organizadas de acordo com o
padrão da Igreja de Jerusalém, que possuem governo diferente, diferente tipo de
membresia, diferentes ordenanças, doutrinas e práticas?
ü Podem os batistas reconhecer
os ministros de tais corpos irregulares e não-escriturais como ministros do
evangelho em sua total capacidade, convidando-os para pregarem em seus
púlpitos?
ü Podem os batistas
tratar como “irmãos em Cristo” aqueles que não têm suas doutrinas e não andam
de acordo com seus mandamentos, mas se colocam às vezes em oposição a eles?
Criam os seguidores do movimento apenas na existência das igrejas
locais, negando as ideias de igreja universal. O Reino de Deus consistia da
soma total de igrejas locais que pudessem ser propriamente vistas como “igrejas
verdadeiras de Cristo”. Segundo criam, somente igrejas batistas se
qualificavam para isso, fora das quais não havia salvação. A sucessão de
igrejas verdadeiras de Cristo estava em conexão próxima a essas crenças,
acreditando o movimento que igrejas organizadas de acordo com os princípios de
Cristo sempre existiram ao longo da história. Enquanto existia apenas a Igreja
de Jerusalém, igreja e reino eram idênticos,
sendo do reino apenas quem fizesse parte daquela igreja. Com a multiplicação
das congregações, as novas eram integradas ao reino de Deus. Ao longo da
história, os landmarkistas citam Waldenses, Albigenses,
Paulicianos, Novacianistas, Donatistas e outros grupos como predecessores dos
batistas modernos de nossos dias.
Também chamado de JJJ (João-Jordão-Jerusalém), no Brasil, o movimento se
tornou conhecido pelo livreto “O rasto de sangue”, escrito por J. M. Carrol.
Tal como a teoria da origem anabatista, a teoria landmarkista não
tem apoio em evidências históricas. Nos diferentes grupos apontados como
“batistas’ sem levarem este nome ao longo da história, sempre será possível
encontrar pontos de convergência em doutrinas e práticas, pois todos eles
surgiram como oposição às heresias introduzidas no cristianismo pelo
catolicismo, mas nenhum desses grupos teria a visão batista de ser
igreja, que se desenvolveu ao longo de quatrocentos anos, desde os
separatistas ingleses até hoje.
Historicamente, podemos afirmar que, considerando-se a reforma
protestante a partir de Lutero, os batistas foram muito bem nessa atividade de
“passar o cristianismo a limpo” à luz das Escrituras, deixando de lado as
velhas estruturas eclesiásticas heréticas oriundas do catolicismo romano e
lutando pela reconstrução da igreja a partir da igreja local, primeira
preocupação dos nossos líderes na reforma empreendida a partir do embrião de
Amsterdam, na Holanda. John Smyth, Thomas Helwys, John Spilsbury e outros
líderes batistas pioneiros se opuseram à ideia sucessionista da igreja.
Todas as denominações surgidas a partir do protestantismo podem
alimentar a ideia de que a igreja primitiva historiada em Atos dos Apóstolos
era semelhante, se não a mesma, da sua igreja atual, mas essa teoria não tem
base na história como ciência, baseada em evidências, documentos e fontes. É
preciso reconhecer que, desde o início, as igrejas mais puras estiveram
sujeitas a erros e heresias, sendo que, em algumas épocas históricas, elas
acabaram por se tornar mais em sinagogas de Satanás do que igrejas de Cristo,
fato revelado até pelo apóstolo João no seu Apocalipse. No entanto, Cristo tem
tido e terá sempre um Reino neste mundo, formada por pessoas que creem nele e
confessam o seu nome. Torna-se cada vez mais difícil definir-se um nome ou um
tipo de igreja como representante único do Reino de Deus neste mundo, mas cabe
a cada cristão e cada igreja buscar, a cada dia, a pureza doutrinária que
caracterize uma autêntica Igreja de Cristo, que possa continuar pregando a
mensagem do evangelho até os confins da terra, ansiando pela volta do Noivo,
que finalmente se unirá à Sua Noiva uma santidade digna da presença eterna com
Deus.

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