“E
disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda
criatura." (Marcos 16.15)
Desde o início da
atividade da igreja, os seguidores do Caminho sabiam que
teriam uma tarefa muito ampla pela frente, tão vasta que uma única geração de cristãos
não seria capaz de realizar. Os batistas também, desde o seu início, tinham
consciência desta missão e demonstraram isto em vários momentos da história.
William Carey, um sapateiro batista de Londres, pregava seus sapatos tendo
o mapa mundi à sua frente, sonhando com o dia em que, em vez
de pregos, iria usar palavras e frases para pregar a mensagem do evangelho aos
indianos.
Por
ocasião das comemorações dos 400 anos batistas em 2009, Denton Lotz, da
Aliança Batista Mundial, assim se expressou:
"Em 1834,
Johannes Gerhard Oncken, pioneiro do trabalho batista na Alemanha, foi preso
por ser o líder de uma igreja batista, recém-organizada em Hamburgo. O delegado
deu uma ordem: Escreva aí o nome dos missionários de vocês. Oncken não perdeu
tempo: Jeder Baptist ein Missionar, ou seja, Cada batista,
um Missionário".
Tendo participado de
uma viagem missionária à Ásia juntamente com o casal Judson, Luther Rice voltou
para a América, a fim de organizar o trabalho missionário batista
norte-americano, que muito deve a ele em sua estrutura inicial. De passagem
pelo Brasil, olhou para as nossas terras, a partir de Salvador, avaliando seu
potencial para missões.
Estes são apenas
alguns exemplos que a história registrou e que podemos lembrar, ilustrando este
último fascículo. “O campo é o mundo”, conforme o título e o texto inicial, nas
palavras de Jesus a seus discípulos. O campo era o mundo na época de Cristo, um
mundo representado pelo Império Romano civilizado e os demais povos
considerados bárbaros. O campo era o mundo na Idade Média, quando igreja e
governo imperial se uniram, numa parceria que produziu muitos resultados
desastrosos. O campo era o mundo quando Lutero, Zuinglio, Calvino e os demais
reformadores deram o brado de “Sola Scriptura”, iniciando movimento de volta às
origens neotestamentárias e apostólicas do Cristianismo. O campo era o mundo
quando John Smyth, Thomas Helwys e os demais integrantes da “congregação da
padaria” lançaram as bases teológicas do “embrião batista” em solo holandês. O
campo continua sendo o mundo neste século XXI, quatro séculos após o embrião
ter florescido em solo inglês em Spitalfields. Dos tempos apostólicos até hoje,
muita coisa mudou, muito se evoluiu na ciência, na tecnologia, no conhecimento
humano, mas a mensagem continua a mesma, tal como anunciada por Pedro ao
responder à pergunta de Jesus “... e vós, quem dizeis que eu sou?” “Tu és o
Cristo, o Filho do Deus vivo”, resposta dada por Simão Pedro, expressando a
certeza de que Jesus é o Cristo, o enviado do Deus vivo ao mundo para a
salvação de todo aquele que nele crer, resume a mensagem do evangelho, mensagem
do amor de um Deus criador que, longe de abandonar sua criatura à própria
sorte, “tanto amou o mundo que deu seu Filho unigênito”, abrindo ao
homem caminho de volta para sua reconciliação eterna com o Criador.
O Cantor
Cristão, hinário batista brasileiro surgido por iniciativa
de Salomão Ginsburg, tem como seu hino de número 427 um desafio missionário que
as igrejas de nossa terra têm cantado ao longo de mais de um século de
existência, a partir da formação da 1ª de Salvador. O próprio Ginsburg traduziu
um poema anônimo, que é cantado com a melodia composta por Will Lamartine
Thompson. Quem foi Thompson?
Filho de um casal
presbiteriano, W.L.Thompson começou a compor bem cedo em sua vida, tendo
conseguido fama como compositor de música clássica, popular e sacra,
tornando-se até conhecido como “o compositor milionário”. Nas palavras de um de
seus amigos, Thompson possuía “um excelente caráter e um belo espírito
que não eram menores do que o seu imenso talento musical”. “Simplicidade,
sinceridade, humildade e justiça foram as características de sua vida”. Apesar
da fama, Thompson nunca deixou de dar o testemunho de seu Salvador, que o
resgatou desde a sua infância. Sentindo que devia algo a Deus, Thompson
dedicou finalmente o seu talento de compositor unicamente à composição de
músicas sacras, tendo escrito, além de outros, o hino “Manso e suave”. Thompson
teve o privilégio de visitar o grande evangelista D.L.Moody e de ouvir dele, em
seu leito de morte, as seguintes palavras:“Will, preferia ter escrito o seu
hino Manso e suave, mais do que qualquer outra coisa que tenha
feito em minha vida inteira”.
“Conquistar o
mundo" foi a ordem de Cristo aos seus discípulos:
“O
mundo vasto imenso,
Pra
Cristo conquistar'
Este
é o grande lema
Do
nosso labutar.
Humilde,
desprezado,
Por
nós na cruz morreu;
Glorificado
reina
Na
terra e lá no céu!
O
mundo vasto, imenso:
O
povo do Brasil,
Nações
além dos mares,
Famílias,
tribos mil,
Os
povos da Europa,
Da
China, do Japão,
A
todos proclamemos
De
Cristo a salvação!
O
mundo vasto, imenso:
Seus
lares, corações,
Impérios,
tronos, reinos,
As
grandes multidões
Ao
Salvador bendito
Terão
de se entregar,
Pois
no universo inteiro
Jesus
há de imperar!
Sim,
conquistar
O
mundo pra Cristo!
O
mundo, sim,
Pra
Cristo, o Salvador!”
Os povos da Europa, da China, do Japão, da Ásia, da Oceania, das Américas, de
todas as partes, compostos de famílias e tribos mil, têm sido alcançados pela
mensagem do evangelho de Cristo. No entanto, bem perto de nós, quem sabe
tenhamos samaritanos, pessoas que, por circunstâncias existenciais,
se tornaram estranhas a nós, tal como os de Samaria eram estranhos aos judeus.
Samaria foi alcançada na era apostólica e as Samarias modernas precisam também
ser atingidas, pois são formadas por pessoas por quem Cristo também morreu. Que
neste final de reflexão histórica, após caminharmos por vinte séculos de
Cristianismo, focalizando principalmente quatrocentos anos de vida batista,
possamos ser desafiados pelas vidas que foram aqui apresentadas. Todos os
nossos herois da fé foram pessoas que investiram suas vidas, alguns até a
perderam, por amor à causa do evangelho. Enquanto Cristo não voltar, a mensagem
da cruz e da ressurreição do Salvador precisa ser pregada e seus ensinos por
nós vivenciados, de tal forma que as pessoas digam sobre nós o que foi dito
sobre os apóstolos no passado: “Estes que têm alvoroçado o mundo,
chegaram também aqui.”

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